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Somos uma associação sem fins lucrativos reconhecida pelo Banco de Portugal, Direção-Geral do Consumidor e pertencemos à Rede de Apoio ao Consumidor Endividado.

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06.Nov.18

Aumenta o número de famílias endividadas

2018-11-06 Aumento de famílias endividadas.jpg

Fonte: Jornal Publico – Rosa Soares – 31 out Link: https://bit.ly/2SR9q1i

 

Maior endividamento leva peso médio dos encargos com créditos no orçamento familiar a aumentar para 72%. E registam-se já incumprimentos em empréstimos recentes, incluindo para habitação.

 

Há vários sinais de alarme a chegar ao Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS), da Deco, o que leva a directora deste serviço, Natália Nunes, a temer que o número de famílias que vai deixar de conseguir pagar os encargos dos empréstimos possa disparar nos próximos anos, como aconteceu no período que se seguiu a 2008. A pretexto do Dia Mundial da Poupança, Natália Nunes não esconde preocupação com o impacto que pode ter no orçamento das famílias uma queda no emprego, uma possível subida de taxas de juros para quem tem empréstimos à habitação, ou um aumento das rendas para quem tem contratos de curta duração.

Um dos sinais de alarme mais evidentes está no aumento de pedidos de ajuda registados de Janeiro a Outubro, que totalizaram 26.180, mais 100 que em igual período de 2017. O aumento começou a ser visível desde Março, mês em que se registou um crescimento de 50 pedidos face ao periodo homólogo, adiantou ao PÚBLICO a directora do GAS, destacando que também têm aumentado os pedidos de atendimento presencial, o que mostra a maior gravidade das situações a reportar.

Do total de pedidos, apenas foi possível apoiar 2077 até 29 de Outubro (2422 em todo o ano de 2017). Isto porque os consumidores quando chegam o GAS ­- um dos vários gabinetes de apoio especializado que existem a nível nacional, e cuja lista pode ser consultada no Portal do Cliente Bancário – já estão numa situação irreversível, com penhora de bens ou em insolvência pessoal.

A par do aumento de casos há outro dado negativo, que é o facto de as pessoas revelarem um nível de encargos com empréstimos muito elevado e em crescendo desde 2016. Apesar de, em média, as famílias continuarem a apresentar cinco empréstimos – um da casa, dois ao consumo (aquisição de bens) e dois cartões de crédito) - a taxa de esforço média para pagar os encargos (juros e amortização faseada), está em 72%, quando no ano passado estava em 70,8% e, em 2016, nos 67%. A grande distância fica a taxa de esforço que a Deco considera como limite desejável, que é de 35%.

A confirmar a asfixia financeira das famílias, que face a outras despesas essenciais deixam de pagar parte ou a totalidade dos empréstimos, nos anos em que Portugal esteve sobre ajuda financeira, a taxa de esforço média das famílias que recorreram ao GAS fixou-se em 89% em 2012 e em 98% em 2013

O rendimento médio das mais de 26 mil pessoas que pediram ajuda situou-se no período em análise em 1130 euros, o que, considerando encargos com empréstimos de 820 euros, mais despesas familiares de 500 euros, dá um saldo mensal negativo de 190 euros.

Para a directora do GAS, outro sinal de preocupação é o facto de um número significativo de famílias estar a deixar de pagar empréstimos que pediram em 2016 e 2017, especialmente na componente do crédito pessoal, através dos cartões de crédito, mas também no crédito para a compra de casa. Este dado mostra que as famílias voltaram a dar sinais de excesso de confiança: “Lamentavelmente muitas famílias não aprenderam nada com a crise”, refere Natália Nunes. Salvaguardando estar “a ser simpática”, esta responsável também diz ver, do lado das entidades financeiras, “um aligeirar dos critérios de avaliação da capacidade financeira das famílias, tanto no crédito ao consumo, como no da habitação”.

Mais Banco de Portugal

Em face do que conhece no GAS, onde faz questão de estar ao atendimento, e de outra colaboração pessoal que presta numa junta de freguesia, Natália Nunes diz ter dúvidas que a medida macroprudencial para o crédito - criada pelo Banco de Portugal (BdP) e em vigor desde 1 de Julho - seja suficiente para travar o crédito de risco.

A medida, que recomenda aos bancos novos critérios na avaliação do risco do consumidor e coloca alguns limites aos contratos, “está muito centrada no crédito à habitação”, defende a responsável, sublinhando que o crédito ao consumo, que pode chegar aos 75 mil euros, e aquele que é dado através dos cartões de crédito, deveria ser melhor controlado. Neste domínio diz temer que o crédito para a compra de carro, que tem vindo a crescer de forma muito acentuada, possa registar incumprimentos se as famílias sofrerem uma queda de rendimentos por via de uma subida de taxas de juro, o que afecta directamente o crédito à habitação. Natália Nunes alerta, nomeadamente o BdP, para o facto de muitas famílias terem actualmente contratos de arrendamento por prazos curtos, que, a avaliar pelo já está a acontecer, não serão renovados pelo mesmo valor, nem as famílias encontrarão rendas equivalentes no mercado.

No conjunto das famílias que pediram ajuda nos primeiros 10 meses, 58% tem crédito à habitação e a prestação média do empréstimo da casa estava em 350 euros, um patamar baixo, explicado pelas baixas taxas de juro (em valores negativos no caso da Euribor), mas onde uma subida, face ao rendimento médio (1130 euros mensais), pode ter um impacto significativo. Cerca de um quarto vive em casa arrendada, com uma renda média de 345 euros, um montante que dificilmente as famílias conseguirão manter no caso de não renovação dos contratos. Em 11% dos casos não há contrato de arrendamento, nem empréstimo da casa, pelo que devem viver em casa de familiares. E 7% tem casa própria.

 

 

 

02.Nov.18

Crédito: "Voltámos todos aos erros que cometemos antes da crise"

 A revista SABADO, pela jornalista, Juliana Nogueira Santos, publicou um excelente artigo que vale a pena ler na integra e que aqui reproduzimos.

A IPSUM HOME realiza com frequência ações de formação que ajuda a não cometer os erros aqui focados e presta, em locais específicos, apoio as famílias sobre endividadas, ajudando-as a encontrar as soluções adequadas.

Siga-nos em www.ipsumhome.pt

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2018-11-02 Credito Voltámos todos aos erros que c

"No Dia Mundial da Poupança, a Deco alerta para os números de pedido de ajuda por sobreendividamento, que estão a crescer desde Março. É urgente não voltar ao erros do passado.

Com as condições económicas do país a melhorar e as famílias a terem mais margem de manobra nos seus orçamentos mensais, a concessão de crédito continua a aumentar. A propósito do Dia Mundial da Poupança, a Deco divulgou os dados relativos aos encargos com crédito, valores que vêm acompanhados de preocupações. 

A suscitar mais preocupação da parte do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS) da associação de defesa do consumidor está o número de pedidos de ajudas de famílias endividadas, que está em trajectória ascendente desde Março deste ano. Natália Nunes, responsável do GAS, teme que muitas mais famílias entrem em dificuldades caso aspectos como as taxas de juros ou o emprego se modifiquem nos próximos tempos. 

Dos 26.180 pedidos de ajuda que o GAS recebeu entre Janeiro e Outubro, 20% foram causados por situações de desemprego e 19% por deterioração das condições laborais. "Temos mais emprego, nas é muitas vezes precário e os rendimentos são baixos, habitualmente iguais ou um pouco acima do salário mínimo nacional", afirma Natália Nunes à SÁBADO. "Mesmo que quando contratem o crédito as pessoas tenham capacidade de o suportar, são depois as situações alheias que levam aos pedidos de ajuda."

Natália Nunes diz que não é possível fazer uma comparação directa com a época antes da crise, ou seja, os anos de 2007 e 2008, uma vez que a situação era completamente diferente. "As pessoas tinham dificuldades em cumprir porque havia mais desemprego e as taxas de juros estavam em máximos históricos. A Euribor era, em si, a causa de 10% dos pedidos de ajuda que recebiamos. Hoje a taxa está em mínimos, e o problema surge quando ela subir."

Os portugueses retiraram lições da crise, mas poucas

Para além do aumento da concessão de crédito, há outras "linhas vermelhas" que, para Natália Nunes, estão a ser ultrapassadas. A primeira diz respeito à taxa de esforço das famílias, ou seja, o peso que as prestações mensais têm no rendimento líquido das famílias. Enquanto o limite desejável desta está definido nos 35%, o valor registado ficou nos 72%. E, segundo a Deco, "não é fácil que a taxa de esforço caia, pelo contrário." 

O GAS observa também que os créditos contratados nos últimos anos têm condições muito menos flexíveis no que diz respeito à renegociação de maturidades, havendo um aumento considerável no crédito pessoal com prazos longos. "Continuam-se também a pedir créditos para pagar as prestações de créditos mais antigos, por falta de rendimentos", alerta Natália Nunes, justificando isto com "a falta de informação ou mesmo o desespero das pessoas".

"Estamos todos a voltar a cometer os mesmos erros que cometemos antes da crise", aponta a responsável pelo GAS, sublinhando que quando diz todos se refere aos consumidores, às instituições de crédito.

No entanto, há algumas melhorias, porque "em bom rigor, todos os portugueses foram afectados pela crise". Natália Nunes considera positivo que as famílias estejam agora a pedir ajuda antes de atingirem o patamar de irregularidade, um sinal de que "já há mais informação, já se sabe que o crédito pode ser renegociado. 

O regulador do mercado de crédito, o Banco de Portugal, está também mais atento a estas situações, de modo a garantir a solvabilidade dos créditos e controlar o malparado. A Deco mostra-se relutante, no entanto, porque as medidas têm sido tomadas na óptica das instituições de crédito e não na do consumidor, aquela que segundo Natália Nunes, tem de ser mais protegida. 

 

 

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