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14.Jun.19

Ainda as eleições - Crónica Quinzenal

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Já passaram algumas semanas desde as Eleições Europeias que tanto agitaram a população e a comunicação social. Claro que no seu cerne, a campanha eleitoral que se arrastou por diversas localidades e caminhos. Porém, sabemos que algo neste primeiro parágrafo não bate certo. E, infelizmente, penso que não é preciso ir muito longe para perceber qual o erro, a observação... A taxa de abstenção, não é? A "agitação populacional..." 

A taxa de abstenção de voto em Portugal foi das mais vergonhosas possíveis e inimagináveis. Confesso que para alguém que raramente houve falar da Europa, não me chocava tais números. Porém, ao dar-me conta da gravidade dos mesmos, não consigo deixar de pensar no quão gravoso estas eleições são. E não somente na perspetiva do número, mas porque demonstra o como toda a população não quer saber da Europa ou não a quer compreender. Vive-se num sentimento de "para quê que vou votar se não afeta o meu país", que isto por si só é uma afronta gravosa ao que foi alcançado pelos nossos antepassados e, pior, por um futuro que naquele momento teve a oportunidade de ser decidido com toda a expressão da população.

Todavia, existe um descontentamento que me molda nesta crónica. Não é só a questão da abstenção, mas a culpa que a comunicação social atribui aos mais novos quando, na verdade, a sua expressão em nada consegue fazer parte 64,88% pelo simples facto de o número de votantes ter aumentado e o tecido jovem elegível para votar em nada se compara à sociedade em geral. Agora pergunto-me: torna-se fácil culpar os jovens? Torna-se fácil culpar a "geração agarrada aos telemóveis"? Penso que sim. O problema, contudo, é outro. 

Sendo a educação um pilar fundamental, seria essencial a Escola atual saber consciencializar os jovens para os problemas da sociedade, quer a nível macro, como micro. Em saber fazer a ponte entre o que se aprende em casa, e na escola. No entanto, quando a Escola falha em falar da história atual, e a comunicação social falha na mensagem passada para o seio da família - numa altura em que a leitura crítica e saudável é cada vez mais inexistente -, damo-nos conta de um sério problema sistémico que não parece ter solução à vista... Os próprios políticos compreenderam como a sua mensagem não é clara e não chega a todos os tecidos da população, o que por si só demonstra que existe um grande trabalho de sensibilização a ser feito. Agora a questão é: será que alguém o fará?

- Por Diogo Simões 

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