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Associação IPSUM Home

Somos uma associação sem fins lucrativos reconhecida pelo Banco de Portugal, Direção-Geral do Consumidor e pertencemos à Rede de Apoio ao Consumidor Endividado.

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02.Nov.18

Crédito: "Voltámos todos aos erros que cometemos antes da crise"

 A revista SABADO, pela jornalista, Juliana Nogueira Santos, publicou um excelente artigo que vale a pena ler na integra e que aqui reproduzimos.

A IPSUM HOME realiza com frequência ações de formação que ajuda a não cometer os erros aqui focados e presta, em locais específicos, apoio as famílias sobre endividadas, ajudando-as a encontrar as soluções adequadas.

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2018-11-02 Credito Voltámos todos aos erros que c

"No Dia Mundial da Poupança, a Deco alerta para os números de pedido de ajuda por sobreendividamento, que estão a crescer desde Março. É urgente não voltar ao erros do passado.

Com as condições económicas do país a melhorar e as famílias a terem mais margem de manobra nos seus orçamentos mensais, a concessão de crédito continua a aumentar. A propósito do Dia Mundial da Poupança, a Deco divulgou os dados relativos aos encargos com crédito, valores que vêm acompanhados de preocupações. 

A suscitar mais preocupação da parte do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS) da associação de defesa do consumidor está o número de pedidos de ajudas de famílias endividadas, que está em trajectória ascendente desde Março deste ano. Natália Nunes, responsável do GAS, teme que muitas mais famílias entrem em dificuldades caso aspectos como as taxas de juros ou o emprego se modifiquem nos próximos tempos. 

Dos 26.180 pedidos de ajuda que o GAS recebeu entre Janeiro e Outubro, 20% foram causados por situações de desemprego e 19% por deterioração das condições laborais. "Temos mais emprego, nas é muitas vezes precário e os rendimentos são baixos, habitualmente iguais ou um pouco acima do salário mínimo nacional", afirma Natália Nunes à SÁBADO. "Mesmo que quando contratem o crédito as pessoas tenham capacidade de o suportar, são depois as situações alheias que levam aos pedidos de ajuda."

Natália Nunes diz que não é possível fazer uma comparação directa com a época antes da crise, ou seja, os anos de 2007 e 2008, uma vez que a situação era completamente diferente. "As pessoas tinham dificuldades em cumprir porque havia mais desemprego e as taxas de juros estavam em máximos históricos. A Euribor era, em si, a causa de 10% dos pedidos de ajuda que recebiamos. Hoje a taxa está em mínimos, e o problema surge quando ela subir."

Os portugueses retiraram lições da crise, mas poucas

Para além do aumento da concessão de crédito, há outras "linhas vermelhas" que, para Natália Nunes, estão a ser ultrapassadas. A primeira diz respeito à taxa de esforço das famílias, ou seja, o peso que as prestações mensais têm no rendimento líquido das famílias. Enquanto o limite desejável desta está definido nos 35%, o valor registado ficou nos 72%. E, segundo a Deco, "não é fácil que a taxa de esforço caia, pelo contrário." 

O GAS observa também que os créditos contratados nos últimos anos têm condições muito menos flexíveis no que diz respeito à renegociação de maturidades, havendo um aumento considerável no crédito pessoal com prazos longos. "Continuam-se também a pedir créditos para pagar as prestações de créditos mais antigos, por falta de rendimentos", alerta Natália Nunes, justificando isto com "a falta de informação ou mesmo o desespero das pessoas".

"Estamos todos a voltar a cometer os mesmos erros que cometemos antes da crise", aponta a responsável pelo GAS, sublinhando que quando diz todos se refere aos consumidores, às instituições de crédito.

No entanto, há algumas melhorias, porque "em bom rigor, todos os portugueses foram afectados pela crise". Natália Nunes considera positivo que as famílias estejam agora a pedir ajuda antes de atingirem o patamar de irregularidade, um sinal de que "já há mais informação, já se sabe que o crédito pode ser renegociado. 

O regulador do mercado de crédito, o Banco de Portugal, está também mais atento a estas situações, de modo a garantir a solvabilidade dos créditos e controlar o malparado. A Deco mostra-se relutante, no entanto, porque as medidas têm sido tomadas na óptica das instituições de crédito e não na do consumidor, aquela que segundo Natália Nunes, tem de ser mais protegida.